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1. Introdução
Este documento tem por objetivo orientar a execução
dos ensaios de carregamento dinâmico (PDA) em estacas escavadas
para controle e garantia da qualidade de fundações
de obras civis.
2. O ensaio de carregamento dinâmico
Também chamado de ensaio dinâmico ou prova de carga
dinâmica (PDA), é um ensaio que objetiva principalmente
determinar a capacidade de ruptura da interação estaca-solo,
para carregamentos estáticos axiais.
Ele difere das tradicionais provas de carga estáticas pelo
fato do carregamento ser aplicado dinamicamente, através
de golpes de um sistema de percussão adequado.
A medição é feita através da instalação
de sensores no fuste da estaca, em uma seção situada
abaixo do topo da estaca, a uma distância, pelo menos duas
vezes o diâmetro desta.
Os sinais dos sensores, aceleração e deslocamento,
durante o evento (propagação da onda de tensão
gerada pelo golpe), são armazenados e processados no equipamento
PDA.
O PDA é baseado na teoria da onda (Smith - 1960). Posteriormente,
Goble desenvolveu pesquisas que levaram aos equipamentos (PDA) e
métodos de ensaio atuais.
Quando uma estaca é atingida por um golpe, é gerada
uma onda de tensão que trafega na estaca com velocidade dependente
das características do material.
3. Preparo das estacas para execução
dos ensaios
Em estacas escavadas, o ideal é que se espere o concreto
atingir, pelo menos, 75% de sua resistência nominal para início
do preparo de suas cabeças para realização
dos ensaios.
Para concretos comuns, a sete dias da concretagem das estacas já
é possível iniciar os trabalhos de escavação
e arrasamento. Para concretos de alta resistência inicial,
as estacas poderão ser arrasadas a três dias de sua
concretagem.
O preparo propriamente dito inicia-se pelo arrasamento. Este visa
eliminar todo o concreto de má qualidade existente no topo
da estaca. É importante que esse procedimento siga os devidos
cuidados para que não sejam geradas trincas durante o processo,
como aquelas geradas pela aplicação de golpes de ponteira
apontada na direção vertical ou aquelas geradas pelo
uso indiscriminado de martelete.
Após o preparo da cabeça, com a eliminação
do concreto inadequado, exposição da armadura e acerto
da superfície, montam-se as formas e coloca-se a armação,
especialmente preparada para receber o golpe.
A armação e a concretagem contam com fretagem e concreto
de alta resistência, especialmente dimensionados para esta
região, a qual fica sujeita às maiores tensões
pela aplicação do golpe.
Eventualmente a estaca pode ser preparada, durante sua concretagem
(ou a posteriori), pelo reforço da cabeça da estaca
com a colocação de um anel metálico, visando
eliminar a fretagem.
Este anel deve ser devidamente aprumado e centralizado no furo recém
concretado ou, no caso de concretagem a posteriori, utilizado como
reforço/forma. Cuidados especiais devem ser tomados para
que não surjam bicheiras na base do anel.
O topo do preparo da cabeça deve estar horizontalizado e
alisado de forma a garantir a perfeita aplicação do
golpe.
Após a cura do concreto a forma do reforço da cabeça
é removida, no caso do anel, este não é removido.
A região no entorno da estaca é escavada até
cerca de 1,5 diâmetros abaixo da base do reforço, ou
no mínimo 1,3 m, para que trecho de concreto original da
estaca seja exposto para colocação da instrumentação.
Deve existir largura livre de pelo menos 80cm, no entorno da estaca,
de forma a permitir o trabalho com equipamentos de mão do
tipo lixadeira, esmerilhadeira ou furadeira.
4. Equipamento para aplicação
do golpe
O equipamento gerador da força de impacto pode ser um bate-estaca
ou similar, desde que seja capaz de provocar um deslocamento permanente
ou mobilize a resistência das camadas de solo atravessadas
pela estaca até, no mínimo, os limites do ensaio especificados.
Normalmente, martelos com peso igual a ~3,0% da carga admissível
da estaca a ser verificada são suficientes.
O equipamento deverá contar com sistema de amortecimento
similar ao de cravação de estacas.
Também será necessário que o equipamento seja
capaz de aplicar golpes com alturas variadas, bem como aplicar tais
golpes de forma eficiente e não excêntrica.
5. Instrumentação
A instrumentação é feita através da
fixação de um par de transdutores de deformação
específica e de um par de acelerômetros, fixados em
posições opostas em relação ao eixo
de simetria da estaca, de modo a detectar e compensar os efeitos
de flexão na estaca, que eventualmente ocorrem quando da
aplicação dos golpes do martelo.
Os sensores são instalados antes do início da cravação
das estacas, aparafusados em chumbadores de expansão colocados
no concreto das estacas.
A área onde será instalada a instrumentação
deverá estar lisa e plana de forma a permitir a perfeita
fixação dos instrumentos. Para tanto, em estacas escavadas,
é necessário lixar duas áreas diametralmente
opostas a aproximadamente dois diâmetros do topo da estaca.
Os sinais dos sensores são condicionados, analisados e armazenados
em um Analisador de Cravação de Estacas (PDA), modelo
PAL. Os dados obtidos são transferidos para arquivo em computador,
para as análises posteriores.
6. Ensaio e coleta de dados
O ensaio é realizado aplicando-se golpes sucessivos com
alturas variadas, normalmente crescentes.
Apesar de, em alguns casos, ser importante iniciar o ensaio aplicando-se
um golpe de energia relativamente alta, é importante que
tal golpe não seja danoso à estaca. Ou seja, é
fundamental monitorar os golpes, de forma a aplicá-los corretamente,
sem gerar esforços que causem danos a estacas íntegras.
A coleta de dados é feita on line através
do equipamento PDA.
Automaticamente um primeiro processamento é efetuado. Desse
primeiro processamento podem ser obtidas informações
preliminares importantes: tensões geradas, a energia aplicada,
a capacidade de carga mobilizada pelo método expedito CASE
(através dos dados preliminares adotados), máxima
deformação no golpe, etc.
Além disso, são coletados os dados de projeto e executivos
da obra, tais como:
Gerais
identificação, locação, fornecedor/empreiteiro,
sondagens próximas, planta de locação de
sondagens e projeto de fundação;
Equipamento
de cravação peso do martelo, altura de
queda, energia, tipo de cepo e coxim, capacete, outras observações
(prolongador, pré-furo);
Estaca
identificação, carga de trabalho, tipo, especificações,
geometria, reforço, resultados de outros ensaios (concreto,
etc.);
Execução
data de cravação ou execução,
volumes, pressões, condições de operação,
tipo e disposição de emendas, etc.
Ensaio
dinâmico - descrição do equipamento e
calibração, data, identificação, módulos
de elasticidade, densidade e velocidade de propagação
de onda e modos de determinação, comprimentos (executados,
cravados e de instalação da instrumentação),
resistência à penetração, valores de
compressão/tração gerados, energia, métodos
utilizado (CASE/CAPWAP), parâmetros, comentários
sobre a integridade, sinais com representação gráfica.
7. Análises posteriores
Posteriormente, os dados são re-analisados, inclusive a
luz de um melhor entendimento dos dados obtidos na obra.
Para tais análises a principal ferramenta é o programa
CAPWAP®, que serve como parâmetro para um cálculo
mais preciso e para aferição das análises através
do método CASE.
ANÁLISE CAPWAP®
Normalmente um golpe (preferencialmente o de maior carga mobilizada)
de uma estaca, a cada grupo de seis, é analisada pelo programa
CAPWAP®. Esse tipo de análise é um processo iterativo
que envolve os sinais de força e velocidade medidos em campo,
estimativas das resistências estáticas do solo e parâmetros
dinâmicos da estaca e do terreno.
Ao final da análise CAPWAP® são obtidos e fornecidos
os seguintes dados:
Capacidade
de carga mobilizada para o fuste e ponta;
Dados relativos
ao modelo utilizado do solo: tabela com valores de resistência,
"quakes" e "dampings" para cada um dos elementos
de solo ao longo do fuste e ponta, bem como os valores totais
e resistências unitárias; parâmetros de descarregamento
e outros elementos utilizados para modelar o comportamento do
solo.
Tabela de
valores máximos de forças, tensões, energias,
velocidades e deslocamentos, ao longo da estaca, durante o golpe
analisado.
Modelo utilizado
para a estaca.
Resultados
calculados pelo método CASE para diversos fatores de amortecimento
"J".
Curvas de
força e velocidade medidas.
Diagrama
de atrito lateral e diagrama de esforços normais ao longo
do fuste da estaca. Permitindo inferir as parcelas absorvidas
pelo fuste e ponta diferenciadamente (transferência de carga),
o que pode permitir uma estimativa da capacidade de carga a tração.
Gráfico
comparando a força medida com a força calculada,
sendo dados de entrada a velocidade medida e os modelos anteriormente
descritos do solo e da estaca, o que mostra a adequação
desses modelos utilizados, através da boa coincidência
entre as curvas medidas e calculadas.
Gráfico
de uma prova de carga estática a compressão, simulada
pelo CAPWAP®. Esta simulação utiliza o modelo
do solo e da estaca anteriormente descritos, variando o carregamento
estático no topo da estaca.
Gráficos
mostrando a evolução ao longo do fuste, durante
o golpe analisado, dos valores máximos da força
e tensão de compressão, da energia transferida,
da tensão de tração, bem como da velocidade
e do valor do deslocamento das partículas.
Tabela de
cargas e recalques, do topo e da ponta da estaca, na prova de
carga estática simulada.
8. Normas para o ensaio PDA
A norma brasileira para o ensaio de carregamento dinâmico
(PDA) é a NBR 13208.
A NBR 6122, de fundações, especifica a execução
do ensaio para 3% das estacas representativas da obra.
As normas internacionais existentes são:
Estados
Unidos (ASTM D-4945-89)
Austrália
(AS 2159-1995)
Alemanha
(Comitê 2.1 da DGGT - recomendações para futura
inclusão na norma DIN)
China
(JGJ 106-97)
Inglaterra
(Specification for Piling - Institution of Civil Engineers - capítulo
11.1)
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