Células-tronco do cordão umbilical: uma alternativa promissora para a terapia celular

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Sem dúvida, as células-tronco representam a grande esperança e futuro da medicina devido aos seus benefícios e diversas aplicabilidades terapêuticas em diferentes patologias, como o câncer e doenças neurodegenerativas.

As células-tronco são células não especializadas presentes no nosso organismo que possuem a capacidade de se multiplicar e se diferenciar em outras de variados tecidos corporais. Essa é a grande aplicabilidade desta tecnologia, pois possibilita a substituição de células disfuncionais por outras saudáveis.

Existem diferentes tipos de células-tronco que variam de acordo com o seu local de origem e potencial de diferenciação. Dentre estas, as células-tronco do sangue do cordão umbilical representam uma excelente fonte, possuindo vantagens quando comparadas às células-tronco da medula óssea, por exemplo.

Células-tronco do sangue do cordão umbilical

O cordão umbilical é uma estrutura em formato de tubo que conecta o bebê à placenta, sendo responsável pela troca de nutrientes que ajudam no desenvolvimento do feto.

Além disso, o sangue do cordão umbilical é rico em células-tronco que possuem capacidade de autorrenovação, proliferação e diferenciação, e são classificadas como células progenitoras de linhagens hematopoiéticas (células do sangue).

Quando comparadas às células-tronco da medula óssea, as do sangue do cordão umbilical possuem uma série de vantagens em procedimentos de transplantes. A primeira delas é a facilidade quanto à coleta, feita de forma rápida logo após o parto, além de um processamento mais rápido quando comparado às células da medula. O processo de coleta não é doloroso para a mãe e nem para a criança, com baixo risco de infecção. Já os transplantes de medula óssea exigem anestesia do doador, com relativa dor e desconforto após a coleta.

Além disso, é notável a menor taxa de rejeição nos transplantes utilizando estas células (doença do enxerto contra o hospedeiro), pois estas células possuem uma maior tolerância a possíveis incompatibilidades do Antígeno Leucocitário Humano (HLA). As células do sangue do cordão umbilical podem ser utilizadas para tratamento de diversas doenças de origem sanguínea, como as leucemias.

Como a coleta desse tipo celular é feita em oportunidade única, é importante que as mesmas possam ser armazenadas para futuras utilizações. O padrão é que estas células sejam criopreservadas, ficando disponíveis para utilização imediata quando necessário. A maior desvantagem é a dose de utilização, uma vez que a doação ocorre em uma única coleta e o volume é restrito. No entanto, hoje se utiliza a técnica de adicionar dois cordões para um mesmo paciente, o que proporciona o uso em adultos com maior peso.

Células-tronco do tecido do cordão umbilical

No tecido do cordão, também existem células-tronco. Diferentes das células do sangue do cordão, estas são mais imaturas, o que permite que se diferenciem em uma quantidade mais variada de tipos celulares. São conhecidas como células-tronco mesenquimais e possuem características autorrenováveis e multipotentes.

Essas características geraram grande interesse pela medicina regenerativa, que tem estudado de forma intensa a aplicação desse tipo celular para o reparo tecidual em diferentes doenças. Estas células também apresentam vantagens quanto à facilidade de obtenção, pois podem ser facilmente coletadas e criopreservadas.

Atualmente, esse tipo celular tem potencial terapêutico para variadas doenças, principalmente devido às suas características celulares. Além da sua maior capacidade de diferenciação, as células-tronco do tecido do cordão umbilical possuem características moduladoras importantes no sistema imune. Elas inibem a proliferação de linfócitos T e B e induzem efeitos anti-inflamatórios, o que facilita o reparo tecidual, por exemplo.

Cada vez mais estudos vêm sendo publicados a respeito de suas aplicações, como no diabetes, doenças cardíacas, hepáticas, respiratórias, dentre outras. No entanto, é necessário destacar que ainda é um ramo em expansão onde ensaios clínicos estão em desenvolvimento para que as aplicações terapêuticas sejam viáveis.

Células-tronco do tecido do cordão umbilical e suas aplicações no diabetes

O diabetes é uma das doenças com mais alta incidência no mundo. Clinicamente, existem dois tipos de diabete: do tipo 1 e do tipo 2. O tipo 1 é caracterizado pela produção insuficiente de insulina pelas células do pâncreas, que sofrem destruição devido a uma reação autoimune do organismo. Já o tipo 2 está associado à redução da sensibilidade do receptor de insulina a este hormônio, tornando-o ineficaz no controle dos níveis glicêmicos.

Estudos demonstram que células-tronco do tecido do cordão umbilical podem se diferenciar em células pancreáticas funcionais em modelos experimentais com roedores portadores de diabetes. Estudos clínicos com pacientes diabéticos demonstraram que, de 6 meses a 1 ano após a injeção intravenosa das células-tronco, foi possível melhorar o índice metabólico, aumento nos níveis de insulina e diminuição da hemoglobina glicada, glicemia de jejum e necessidade diária de insulina.

Outras complicações do diabetes, como o pé diabético e úlceras diabéticas também podem ser tratadas com esse tipo de terapia celular. Pesquisas científicas demonstraram um aumento nos fatores de crescimento endotelial vascular e outros fatores que promovem a regeneração do tecido epitelial após o uso de célula-tronco mesequimais do cordão umbilical.

Além disso, a densidade de vasos recém-formados aumentou e as úlceras cicatrizaram parcial ou completamente e modelos com roedores. Estes são resultados animadores que mostram a eficácia desse tipo de tratamento para o pé diabético, assim como para outras feridas e lesões teciduais.

Em resumo, as células-tronco derivadas do cordão umbilical (seja do sangue ou do tecido) são estratégias promissoras e que já estão sendo aplicadas na clínica para algumas doenças. E mais do que isso, representam a transposição de barreiras éticas impostas na utilização de células tronco embrionárias, fornecendo uma fonte alternativa destas células em tecidos que, geralmente, eram descartados.

A In Situ Terapia Celular assume o compromisso de trazer informações relevantes e de qualidade para você, sempre baseado em ciência e com fontes de pesquisa confiáveis. Somos especializadas e pioneiras no desenvolvimento de biocurativos com células-tronco para o tratamento de feridas crônicas e queimaduras graves.

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