Odontologia regenerativa

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Problemas de saúde bucal, como a cárie, afetam 3,5 bilhões de pessoas anualmente no mundo. Apesar dessa alta incidência, a odontologia clínica apresenta uma evolução lenta quando falamos de tratamentos.

Imagine então um mundo sem obturações, restaurações permanentes e tratamentos de longa duração. Estas são algumas das promessas da terapia regenerativa aplicada à odontologia, tratamentos baseados na terapia celular com células-tronco.

O que é a odontologia regenerativa?

A odontologia regenerativa é uma área inovadora e em expansão que integra a biologia celular, ciência de materiais e engenharia de tecidos. Essa tecnologia visa restaurar e manter as características biológicas dos tecidos orais, contrastando com as terapias odontológicas convencionais que, muitas vezes, acabam removendo os tecidos e substituindo-os por materiais sintéticos (uma prótese dentária, por exemplo).

Como em outras aplicações da terapia celular, na odontologia regenerativa são utilizadas células-tronco para restaurar tecidos. A regeneração de dentes humanos inteiros ainda é algo em desenvolvimento, no entanto, outras aplicações já são possíveis, como o reparo e a regeneração da dentina.

Basicamente, existem duas abordagens bem descritas em artigos científicos para realizar a regeneração e reparo de tecidos dentários: por meio da cicatrização da injúria ou por meio da formação de novo tecido utilizando técnicas de engenharia de tecidos. E a grande característica comum destas duas abordagens é fornecer mecanismos para restaurar a funcionalidade e vitalidade da dentição humana.

A utilização das células-tronco na odontologia regenerativa

Nosso corpo possui diferentes fontes de células-tronco e a polpa dentária é uma delas. A polpa dental é uma estrutura constituída por tecido conjuntivo frouxo que ocupa a cavidade interna do dente, composta por células (incluindo células-tronco), vasos, nervos, fibras e substâncias intercelulares.

Diversos grupos de pesquisa têm dedicado esforços desenvolvendo estudos científicos que utilizam células-tronco da polpa dentária. Publicações recentes demonstram que estas células têm potencial regenerativo, podendo gerar uma nova polpa dentária inteira. Além disso, células-tronco derivadas de outros tecidos orais como do ligamento periodontal, de dentes decíduos esfoliados humanos, da papila apical e do folículo dental, também surgem como potencias fontes de regeneração óssea e dentária devido à sua facilidade de acesso e abundância.

Outros estudos clínicos ainda em andamento também estão gerando resultados promissores com relação ao uso, eficácia e segurança de células-tronco mesenquimais de cordão umbilical humano em abordagens regenerativas para tratamentos de canal.

É importante destacar que apesar do grande progresso, existem barreiras a serem superadas para o uso da odontologia regenerativa. A grande maioria dos estudos e dos bons resultados encontrados possui como foco o reparo e regeneração da dentina e da polpa. No entanto, outra estrutura do dente gera muitos desafios para os cientistas: o esmalte.

O esmalte dentário é uma estrutura complexa composta de cristais de minerais que revestem a dentina e a polpa. Replicar o crescimento destes cristais envolve processos bastante complexos ainda em desenvolvimento. Durante o desenvolvimento do dente, o esmalte é produzido por células altamente especializadas, os ameloblastos, que sofrem apoptose após completar a formação do esmalte. A ausência destas células, após a formação do esmalte, diminui a capacidade de reparo biológico do esmalte, mesmo com as terapias regenerativas.

Além disso, a geração de novos dentes completos enfrenta dificuldades quanto ao controle da morfologia da coroa, a sua integração ao periodonto, assim como a vascularização e inervação na cavidade oral.

Aplicações da odontologia regenerativa

Além da regeneração de dentes danificados, essa tecnologia pode ser utilizada para tratamento de outras desordens bucais, como a periodontite.

A periodontite é definida como uma infecção bacteriana do periodonto, um tecido formado pela gengiva e por ligamentos que sustentam os dentes nos ossos. Existem estudos que investigam a utilização de células-tronco associadas a cirurgias periodontais. Em geral, os estudos apontam resultados promissores na regeneração do tecido periodontal, reduzindo espaços entre a gengiva e o dente, por exemplo.

Diversos fatores podem acarretar perda óssea na região maxilar, como patologias nos ossos, doenças periodontais, perda de dentes e traumas. Nesse ponto, as terapias celulares podem auxiliar restaurando esse tecido por meio do uso de biomateriais associados com células-tronco, substituindo procedimentos complexos como os enxertos ósseos.

Por fim, a odontologia regenerativa pode ser aplicada também em tecidos moles da boca, como os lábios, a gengiva, língua e bochechas. Lesões mais profundas e graves nesses tecidos podem ser restauradas por meio da utilização de biocurativos associados com células-tronco. Estudos científicos demonstraram inclusive a formação de vasos sanguíneos e regeneração dos tecidos moles, bem como a redução da resposta inflamatória.

A utilização da terapia celular representa uma verdadeira revolução na área da odontologia, tornado possível resultados impensáveis, como a terceira dentição. No entanto, ainda é um ramo em desenvolvimento e mais estudos são necessários para sua transposição completa e aplicável a rotina da clínica.

A In Situ Terapia Celular assume o compromisso de trazer informações relevantes e de qualidade para você, sempre baseado em ciência e com fontes de pesquisa confiáveis. Somos especializadas e pioneiras no desenvolvimento de biocurativos com células-tronco para o tratamento de feridas crônicas e queimaduras graves.

Referências:

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Zheng, C., Chen, J., Liu, S. et al. (2019). Stem cell-based bone and dental regeneration: a view of microenvironmental modulation. Int J Oral Sci.

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